terça-feira, 14 de abril de 2009

Nu

É díficil parar de atuar. Dispensar as máscaras as quais estou tão acostumado a colocar.
Revelar aquilo que se quer esconder, fragiliza. Mas eu insisto. Eu quero me libertar.
E tudo em nome do que?
Do amor. Um amor que seja dirigido à mim.
Aos meus cabelos quebradiços, ao meu rosto "muito magro", as minhas espinhas e meu corpo esqualido. Que me amem pelo que eu sou, pelo que eu mais temo em mim.
Não amem as minhas visões, as minhas performances. Não amem meu rosto maquilado e inventado pelo meu esforço.
Eu oficialmente me retiro dos palcos da vida.
Quero ficar na platéia, aonde não preciso de aplausos para ser feliz. Quero parar de tentar me construir, quero apenas ser.
Tudo isso me dá um medo, evidentemente.
Porque eu não consigo acreditar que alguém me ame. Não a mim, que sempre me achei patético.
Me desnudo e não gosto do que mostro. Mas não me importo, quero me mostrar.
Nu, cru, feio, incoerente, imperfeito, humano.
Este sou eu, mundo.
Sem filtros, sem açucar, sem legenda.